Sábado, 13 de Outubro de 2012

ELEGIA DA INFRUTUOSIDADE E DA DEMAGOGIA

A noite ajudou à festa. Estava fresquinho, mas dentro do salão do Centro Paroquial de Loulé havia tanta gente que o frio não teve licença para entrar.

Veio gente de toda a parte: Querença, Tôr e Benafim e mais uns quantos curiosos de Loulé e talvez alguns de Almancil, Quarteira e Boliqueime. Mas estes sentiam que aquela não era a festa deles.

Havia uma proposta, a partir de reuniões de Querença e de Tôr, que previa a agregação destas duas freguesias com a de Benafim. Benafim trazia uma claque, com cartazes e tudo. O serão prometia, tanto mais que à chegada do presidente da freguesia de Benafim, a claque animou, com gritos e aplausos. Uma festa!

Bem, não era propriamente uma festa… era uma reunião da Assembleia Municipal de Loulé que estava ali para discutir algo sem pés nem cabeça: a designada agregação de freguesias consideradas como "situadas em lugar não urbano", nos termos da Lei n.º 22/2012. Uma coisa um tanto sem pés nem cabeça, tanto mais que as freguesias “consomem” apenas 0,1% das receitas do estado.

Essa incrível lei, não prevê o encerramento de qualquer município; vai direitinha contra as freguesias. Como sempre, o elo mais fraco é o alvo do governo, esse que se propunha "cortar nas gorduras" e ainda não encerrou um único instituto, uma única empresa municipal e coisas assim.

Contra os cidadãos, vai-lhes à carteira, reduzindo uma classe média… à média de uma classe miserável; contra o poder autárquico vai-lhe às freguesias.

 

 

Acerca de Loulé, sabia-se que estavam em risco de «desaparecerem» três freguesias. A câmara adiantou-se e jogou uma proposta sem pés nem cabeça, onde se misturavam freguesias “situadas em lugar não urbano” com freguesias urbanas; mas todos perceberam a intenção (aliás, confessada em reunião de câmara): despoletar a discussão no âmbito da assembleia municipal, a entidade a quem competia decidir sobre a matéria, a fim de que a decisão não transitasse para o poder discricionário do governo central.

Todos perceberam isso. Todos? Não! Há sempre um partidozinho sem rumo e com uma liderança espantosa e basicamente «limitada» que só existe com a finalidade de proferir a única expressão que conhece: "somos contra". Apresentar propostas? Isso dá trabalho…

Assim, uma reunião que poderia ser rica em argumentação, tornou-se numa troca de argumentos demagógicos de parte a parte. Aquelas centenas de pessoas simples, que vieram de Querença, Tor e Benafim, seguiram aquela discussão oca, sem perceberem muito bem o que se passava lá à frente, nas "bancadas" daqueles senhores que tinham copos e bolos sobre a mesa.

O povo, perplexo, baixou os cartazes, calou-se e, certamente, na quase totalidade, lamentou as horas roubadas ao sono por aquele espectáculo gratuito em todos os aspectos. E nem sequer tiveram oportunidade de escutar a leitura da proposta (porque ninguém lha leu) – por sinal muito bem estruturada – que estava em discussão e que provinha dos sociais-democratas de Querença, proposta na qual, tal como a lei manda, referia as freguesias a que respeitaria a agregação, a denominação da nova freguesia, a definição dos limites territoriais. Faltava a determinação da sede, mas isso resolveu-se com uma breve interrupção dos trabalhos para que os três autarcas, juntamente com o líder da bancada PSD, solucionassem o problema.

 

  

As pessoas vieram ali… ouvir o quê? Aprender o quê? Saiu dali alguma proposta ou sugestão destinada ao seu bem-estar, à melhoria das suas condições de vida? Não.

A discussão era política e mais nada. A discussão assentava em algo de concreto? Muito pouco. Quanto à demagogia… essa esteve lá sempre, sobretudo vinda daqueles senhores que se sentavam lá em cima, à direita, mas que dizem ser de esquerda. A casa da Democracia foi, uma vez mais, a casa da demagogia.

Bem fez o presidente da câmara, que preferiu ignorar as provocações acerca de uma proposta do executivo municipal que afinal… até já fora (discutivelmente) retirada.

Bem fez a mesa da assembleia que deixou «estender-se» no tempo, o partido do punho ou da rosa (conforme as conveniências de momento) que não trouxe qualquer proposta; quanto mais se estendia no tempo, mais o seu líder se estendia ao comprido, emaranhando-se e tropeçando nas suas próprias palavras.

Da reunião, valeu o período de intervenção do público, com duas ou três certeiras e não demagógicas intervenções. O resto…

 

  

O curioso deste doloroso serão foi que os líderes partidários parece que tinham combinado, à hora de almoço, que a proposta do PSD/Querença seria votada por unanimidade. Depois, foi o que se viu: o PS votou contra (nem todos, claro); o elemento do Bloco de Esquerda, como sempre também foi «do contra»; mas esse tem sempre o mérito de apresentar propostas alternativas. Assim, compreende-se o seu voto negativo (menos se compreende a sua aparente «submissão» aos desígnios socialistas - que até lhe transmitem recados escritos, ali mesmo, à frente de toda a gente. Como se não compreende idêntica submissão do elemento do CDS aos alvitres sociais democratas, sejam eles quais forem).

E falta falar dos presidentes das juntas de freguesia. Os de Tôr e de Querença, legitimados pelas posições assumidas nas assembleias de freguesia, estiveram incondicionais com a proposta do PSD; o de Benafim… coitado do senhor: viu-se que estava apertado – de um lado, tinha a forte claque emudecida; por outro lado, tinha que assumir uma posição que o não expusesse perante a opinião da sua família política. Absteve-se mas não se percebeu de quê.

Os autarcas de Ameixial, Salir, Alte e Quarteira entenderam que naquele baile não se tocava música que os pusesse a dançar. Melhor foi ficarem calados, não vá a Lei 22 ainda lembrar-se que, pelas suas contas, falta «acabar» com uma terceira freguesia. O de Boliqueime (esperto, o moço) atreveu-se mesmo a votar favoravelmente a proposta do PSD/ Querença – pôr as barbas de molho quando as do vizinho estão a arder é sinal de prudência e de cabeça assente).

Os presidentes das juntas da cidade também falaram; mesmo que nada de importante dissessem. Faltava o de Almancil. O homem acha-se um tribuno. Fala dos temas nacionais, em tom alvar e assertivo. No fim, a gente espreme, espreme e… nada! Cala-se provavelmente quando entra mosca… É o costume.

Pronto. Como sempre, a maioria PSD fez valer o seu número. As pessoas voltaram para casa sem terem percebido nada. À saída, uma mulher perguntava ao companheiro: Então? Ganhámos?

Que esperaria a pobre criatura ganhar?

E.G.

 Este blog não está interessado em aderir ao novo Acordo Ortográfico da Língua Brasileira. Por isso, escreve no que entende ser Português escorreito

Publicado por democracia-do-sul às 10:18
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1 comentário:
De Tem medo de mostrar-se a 13 de Outubro de 2012 às 15:34
Não estive lá mas contarão-me que a Jamila madeira voltou à essa assembleia. Veio porque^? Também falou ou ficou só a marcar posissão para se bater há Câmara se lá por andar sempre atráz do Seguro, ele não lhe der um lugarzinho nas listas dele ou no governo<'
<ou veio porque sempre pode servir para ser candidata há câmara porque o PS´, depois do deputado Hugo dizer que não é candidato, só tem tres alternativas qual delas a pior: Victór Aleixo, Luiz Oliveira e Victór Farias? Pobre Loulé! E do PSD, o Hélder vai para presidente da Assembleia e o Graça sempre vai a presidente? e a corneta volta a ser candidata a Santo Agostinho? Dêem lá umas dicas para vêr se a gente entende o que se paça há nossa voolta. A.M.


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