Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

OS MASTINS

 

Recordo-me doutros tempos, felizmente já idos, em que um dos meus superiores hierárquicos, homem do «governo da nação», entendia que um corpo de inspecção devia funcionar como uma «matilha de mastins».

Sabem os meus leitores que o mastim é um cão de guarda, pesado, ossudo, um molosso forte, persistente, de corpo rijo e musculoso, tórax amplo, cabeça maciça, quase sempre atemorizante – e com razão, já que este tipo de cão ataca de modo fulminante, subjugando o inimigo com facilidade, tornando difícil a sua reacção.

O seu pescoço vigoroso e a cabeça de meter respeito, a sua enorme boca, dotada de dentes capazes de triturar ossos com a maior facilidade, transformam estes animais numa potente e temível arma de defesa/ataque.

Uma vez lançados nos seus propósitos, os mastins dificilmente se detêm sem que, previamente, tenham aniquilado o inimigo. Tanto, que estes molossos eram usados pelos romanos e pelos gregos como máquinas de guerra e, na arena, para combater com leões ou ursos pardos.

Era assim que aquele governante queria um corpo inspectivo: capaz de aniquilar aqueles que viesse a considerar como «inimigos a abater» - os subordinados.

Vem esta longa introdução para referir a forma «mastinesca» como, hoje, a imprensa persegue e aniquila pessoas, de forma bárbara, cruel, impiedosa, geralmente com segundas intenções e pondo isso ao alcance de uma opinião pública formada nas «escolas» da revista Maria, do jornal do Crime e das páginas sensacionalistas de outros jornais e pasquins, portanto, uma opinião apta a adoptar as touradas como forma da sua própria «civilização», uma opinião influenciável e bestial.

A imprensa actual não pretende formar, prefere informar (?) e dar o espectáculo do mastim a farejar e destruir as suas vítimas: quanto mais sangue, quanto mais perversidade… melhor! Não lhe importa que as causas sejam menores, ou que sejam, mesmo, infundadas. Fazer sangue é o seu objectivo. Não lhe basta cravar a bandarilha ou o estoque, sente necessidade de revolver a ferida até que a vítima estrebuche ou urre de dor.

 

 

Está na nossa memória a forma como os mastins se lançaram sobre Sócrates, quando primeiro-ministro: ora porque não tinha arte para projectar casas rústicas; ora porque, após o seu divórcio, vivia no mesmo prédio onde residia um actor homossexual; ora porque no seu ministério havia suspeitas de que, para aprovar a construção de um centro comercial, teria havido «luvas» e, quem sabe? até talvez essas luvas lhe tivessem mesmo aquecido as mãos e algibeiras; ora porque a data do seu diploma de licenciatura correspondia a um domingo… O que era preciso era fazer espectáculo bárbaro, circense; sentiam necessidade de sujar, chafurdar, misturar-lhe o sangue no barro dos caminhos. Se havia razões? Talvez não, mas não importava, já que os mastins iam conseguindo o que pretendiam: vender papel ou entreter telespectadores, rasgando, com os caninos, o corpo, a alma, a reputação de um homem.

Afastado o homem, os mastins buscam outros alvos. Relvas e as suas equivalências caíram que nem sopa no mel. Passa ele a ser o alvo da matilha: fez só um exame? Canalha! Professores da universidade que lhe outorgou o diploma ocupam agora altos e chorudos cargos? Malandro do Relvas! Vamos cravar-lhe o estoque, vamos ao sangue! O homem é capaz, é competente? Que lhes importa se tem capacidade de trabalho ou iniciativa ascendente sobre o governo tíbio que está ao leme de um país ingovernável?

Nada interessa aos mastins, para além de revolver a ferida até que a vítima urre de dor. A seguir ao diploma, outra coisa «repugnante» surgirá. Quem sabe? talvez, na escola primária, o Relvas tenha «bifado» um berlinde ao companheiro de carteira… ou talvez tenha, no meio da confusão, quando adolescente, passado a mão no traseiro de uma colega do liceu… O sangue haverá de espirrar por isso.

Mais perto de nós, já há alternativa para quando o «assunto Relvas» estiver na gaveta: chama-se Macário! Quem é este «não fumador» que ousou concorrer e ganhar a câmara de Faro? O autarca tavirense que mais contribuiu para a construção de habitações sociais e mudou a face da sua cidade natal? O presidente de câmara que é o primeiro a chegar ao local de trabalho, que cumpre horários, que é capaz de coordenar, com singeleza e bom senso, o «corpo municipal» e que está sempre pronto para escutar cada um dos cidadãos?

Não, isso são ninharias! O que lhes importa é se ele permitiu a construção de um lar num terreno inculto e improdutivo mas que é considerado apto para agricultar. O que lhes importa é que ele tenha permitido transformar um inútil tanque de rega numa piscina. Isso, sim, é motivo para os mastins atacarem. Vamos ao sangue! Vamos a ele, vamos roubar-lhe a tranquilidade, destruir-lhe a reputação, rasgar com os caninos ferozes, as feridas que lhe façamos, até que a vítima urre de dor.

Quem é o senhor que se segue? A quem irão os mastins misturar o sangue no barro dos caminhos?

Væ victis!* - que o mesmo é dizer: ai de quem seja perseguido pelos mastins! Que «pequeninos» somos!

* loc. lat. – Ai dos vencidos!

E.G

  

 Este blog não está interessado em aderir ao novo Acordo Ortográfico da Língua Brasileira. Por isso, escreve no que entende ser Português escorreito

 

 

Publicado por democracia-do-sul às 11:00
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5 comentários:
De Tem medo de mostrar-se a 12 de Julho de 2012 às 01:16
A próxima vítima pode ser o Sebastião Seruca Emídio. Sabem porquê? eu digo:
Quando era puto e ia com a avó para o mercado, um dia roubou uma uva na banca de uma vizinha e, além disso, em vez de ir para casa foi, primeiro jogar há bola.~
Quando jogava à bola refilava sempre com o aárbitro e ainda por cima, numa tarde deu uma canelada num colega de equipe que se chamava Aleixo.~
Quando era médico em Quarteira um dia receitou um comprimido de Aspirina a uma velha que disse que lhe doia os dentes e afinal ela usava dentadura postiça.
QAgora que é autarca aprovou a vinda do Ikeia para Loulé e não obrigou a empreza a comprar os terrenos do Reinaldo/Apolónia, quando estes queriam era ganhar um balurdio.
Já vêm que há mais que razões para ser lixado na praça publica.


De Raul Fino a 12 de Julho de 2012 às 02:01
Pois é o Macário está lixado porque já fez tantas asneiras como o apolinario e quase tantas como os outros PS que lá estiveram antes.

Só não conseguiu fazer tantas burradas como o Victorino !!!!

E o Victorino queria voltar a obrigar o PSD a leválo ao colo e quer voltar para a CMF para ver se entra no Guinesse como o maior asneirento dos presidentes de câmara do Algave.

O Victorino é o maior inimigo do Macario ed também mais burro............


De Quarteirense a 12 de Julho de 2012 às 17:05
Não me vou pronunciar sobre Sócrates e Relvas. Não quero pronunciar-me. A crise que o país atravessa e que nós estamos a pagar e nem sabemos se o dinheiro está a ser para pagar as dívidas que os incompetentes políticos fizeram, é muito mais importante. Esse assunto, deixo para os economistas de bancada que nós temos.
Falo de Macário Correia. Imaginem que estão a condenar este homem porque fez aquilo para que se comprometeu quando aceitou ser Presidente de uma autarquia. Defender os interesses dos cidadãos. Eu conheço Tavira. E vejo as diferenças. O Macário criou o maior número de habitações sociais para os desfavorecidos. Isso não conta a seu favor? Pois deveria contar.
Aprovou a construção de uma vivenda em espaço não permitido? E daí? Sabem há quantos anos está Tavira à espera do novo PDM? E, aqueles que o criticam, não acham que todos, mas todos temos direito à habitação?
E se autorizou uma piscina na “serra” de Tavira, o que incomoda isso aos outros que não são donos da piscina e do terreno onde a mesma foi construída?
Preocupem-se antes com os idosos, os doentes e os desfavorecidos. Isso sim é fazer bem ao próximo. FORÇA MACÁRIO. Sou Quarteirense e estou contigo!


De Um olhar dezde a Finlândia a 14 de Julho de 2012 às 04:31
Nem vale a pena comentar. Este Governo vai levar este povo a sacrifícios que serão suportados pelo menos por duas gereções.

O PSD ficará muito mais ligado a esta funesta derrocada do país do que o partido que o antecedeu.

Aqui, qaualques Finlandês sabe que as politicas preconizadas por Sócrates tinham um fundo de esperança enquanto o de P. Coelho é um governo e ideias sem esperança de recuperação.

P. Coelho é o grande responsável por termos de sair de Portugal para ganharmos a vida, pondco as nossas experiências profissionais e académicas (pagas pelos portugueses) ao serviço de outros povos e outros governos.

Por isso eu compreendo muito bem a opinião pública dos finlandeses que não apoia mais ajudas.

.G.


De Ruivinho a 15 de Julho de 2012 às 02:05
Falam muito da licenciatura do Relvas assim como já falaram da licenciatura de Sócrates.
É mediático e serve para desviar atenções. Ainda na percebi o que traz de bom ou mau para a governação. Se fossem bons profissionais, até q não importaria….só que…
Mas esses “enganos” também passam pelos “autarquinhas” ou melhor pelos aspirantes a…isso.
Eu conheço um tal de Farias que tem mania que é político e doutor, só que ….também ele não diz onde ( e se) tirou a licenciatura. Cá para mim, que o conheço desde a era de escola, ele não tirou ou não acabou nada. Soube mais tarde que, já em idade adulta e com filhos, estava a estudar por correspondência. Será que se pode tirar cursos superiores por correspondência? Vai ver tirou também na independente com o seu padrinho. E se é advogado como diz, porque não advoga? Vai ver chumbou no exame da Ordem. Ahahah, tudo bons….políticos.


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