Sábado, 29 de Setembro de 2012

A ESPERANÇA VIRÁ DE BARCELONA?

Em 1640, duas nações procuravam livrar-se do jugo castelhano: Portugal e Catalunha.

Portugal já fora um reino independente, apesar de ser uma região pobre; a Catalunha, ao contrário, sempre estivera submetida à corte de Madrid, mas já era uma região rica e progressista.

Filipe IV reuniu esforços para dominar a insurreição catalã. Com isso, descurou o poder sobre Portugal e este restaurou a sua independência que, até hoje, ainda mantém, apesar de continuar a ser o país mais pobre da Ibéria, caminhando, velozmente, para ser o mais pobre da Europa.

Correram os anos. Os países ibéricos, à excepção de Portugal, reuniram-se num só: a Espanha, a décima potência industrial do mundo. Portugal… esse continuou pobre, rural, desindustrializado.

De repente, surgiram ideias novas: para contrariar o domínio económico bicéfalo América-União Soviética, a Europa tinha de unir-se, constituindo uma alternativa capaz de enfrentar o poder económico-financeiro dos dois blocos.

Aos poucos, paulatinamente e com segurança, isso foi-se conseguindo. Até que nasceu a Comunidade Europeia.

Só que o mundo continuou a girar: novas tecnologias, novas capacidades, países emergentes… enfim, era a globalização. A Europa, subestimando este novo poder, repousava, aceitando, quase sem se aperceber, ser liderada pelos germânicos que, finalmente, parece terem percebido que pela força das armas nunca conseguiriam essa liderança.

Portugal entrou na Comunidade. Não podia fazer outra coisa, na sua qualidade de país mais periférico do continente.

Mas, por detrás desta paz podre mascarada de unidade, um tumor acabaria por nascer: a moeda única.

Moeda única? Nenhum dos políticos portugueses abriu um livro de História? Nenhum sabia que, ao longo dos séculos, ‘cunhar moeda’ era privilégio de soberania e de autodeterminação? Nenhum percebeu que, sem moeda própria, o país perderia ambas, ficando à mercê dos ‘donos do dinheiro’?

Eles não sabiam. Entraram alegremente, apesar de saberem que isso iria, de imediato, aumentar estupidamente o nosso custo de vida.

Agora, aí estamos nós. Temos o ‘euro’, igualzinho ao da Alemanha, da França, da Espanha e… da Catalunha. Mas continuamos a estar na ‘cauda da Europa’.

Estamos nas mãos, hoje, de três fulanos que não conhecemos, não elegemos mas que ditam o que temos de fazer para lhes pagar empréstimos e juros. Na bancarrota ou lá perto, não nos resta, sequer, a solução de jogar com a inflação como fez a dupla Soares-Ernâni Lopes para sairmos de uma situação semelhante. Agora, quem manda é quem manda no ‘euro’.

A Catalunha continua a ser a região mais rica e mais industrializada de Espanha e, no entanto, os catalães sofrem na pele os mesmos sacrifícios dos outros espanhóis. Por isso, fartaram-se.

Vão discutir, dentro de dias, se querem continuar sob o jugo espanhol que lhes não permite criar as suas próprias normas de vida.

Estou em crer que o acto eleitoral vai optar pela independência, finalmente. A Espanha perde: perde uma fonte de receita importante, perde a aparência de coesão, e, como diriam os brasileiros, perde a cara.

E que fará a Catalunha a seguir? Se quiser libertar-se de «troikas» só tem um caminho: criar moeda própria.

Se assim for, o ‘euro’ tem os dias – não muitos – contados.

Que fará a Espanha? Tentar impedir a independência dos catalães, lutando pela ‘coesão territorial’? Não creio, pois inda lhe estão frescas as memórias da sua guerra civil. Mas que vai ser um pandemónio, isso vai.

E Portugal? Ah, sim, uma vez mais teremos de agradecer à Catalunha por nos vir abrir uma porta para a liberdade. Para a  independência.  Venha o nosso ‘escudinho’,  venha a inflação;  mas livrem- -nos do governo da «troika» e deixem-nos recuperar um pouco. Com a nossa pequenez, com a nossa idiossincrasia, com os nossos fracos recursos económicos e intelectuais.

E.G.

 Este blog não está interessado em aderir ao novo Acordo Ortográfico da Língua Brasileira. Por isso, escreve no que entende ser Português escorreito

 

Publicado por democracia-do-sul às 15:19
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012

ASSALTO AO «POTE» PELOS «BOYZINHOS»

29 BOYS E GIRLS QUE SE GOVERNAM À NOSSA CUSTA 

Este artigo é para você, trabalhador ou reformado, a quem «retiraram» os subsídios de férias e de Natal, a quem retiraram as bonificações do IRS, a quem retiraram… enfim, condições de vida e bem estar.

É também para si, que foi despedido, que viu reduzidas as condições do subsídio de desemprego. É ainda para si, a quem baixaram o salário, sobrecarregando-o de impostos. Dizem que foi por causa da «troika». Dizem.

(Só que essa tal «Troika» se esqueceu de alguns… de políticos, de aprendizes de políticos, de «meninos» do PSD ou do CDS).

É para si, que tem consciência; para si, que precisa de reflectir; para si que hesita em participar, ou não, nas manifestações de desagrado ou em greves que visam a mudança.

É para si, velhote sem esperanças de ver (pelo menos) as suas condições de vida voltar ao que eram há quatro anos atrás.

É para si, criança deste país, que não vai gozar das não muito boas condições em que cresci mas que vai ter que pagar aquilo que, pelos vistos, eu devia, sem o saber.

O que vos trago aqui é uma relação de outros jovens. Outros, que nasceram sugadores e para sugar. É uma relação de «especialistas» recém-saídos de faculdades nalgumas das quais o curso é comprado.

Especialistas novinhos, sem experiência de vida, de tal modo que não se entende onde possam ter-se especializado.

Entraram para o governo; sem concurso; e todos estes especialistas e assessores em começo de carreira, a trabalhar para o Estado, recebem mais que dez salários mínimos. Cinco ou seis vezes mais que qualquer outro trabalhador do Estado em final de carreira.

Estado que, pela mão dos governos que elegemos, vai aos bolsos destes trabalhadores para engordarem os desses parasitas sociais que são os seus afilhados.

A ilustrar o que ficou dito, aqui fica uma lista de 29 assessores, especialistas, adjuntos, todos com idade inferior a 30 anos (entre eles, 14 «especialistas» com idade entre os 24 e 25 anos).

Estes são boys e girls do PSD e do CDS; mas se o governo fosse outro, seriam outros os boys: os boys e as girls do PS.

E esses mesmos partidos reconhecem (afirmam reconhecer) que é preciso tirar as «gorduras» do Estado! Como querem que nós acreditemos nestes partidos que ocupam sucessivamente os lugares de poder? 

LISTA DOS GENIOZINHOS

GABINETE DO ADJUNTO DA PRESIDÊNCIA

ʘ Ana Miguel Neves dos Santos, idade: 29 anos, cargo: assessora; vencimento mensal bruto: 4.069,33 €

ʘ João Miguel Saraiva Annes,   idade: 28 anos, cargo: adjunto; vencimento mensal bruto:      5.183,63 €

MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

ʘ Filipe Fernandes,   idade: 28 anos, cargo: adjunto; vencimento mensal bruto:                       4.633,82 €

MINISTÉRIO DAS FINANÇAS

ʘ Carlos Correia Vaz de Almeida, idade: 26 anos, cargo: adjunto; vencimento mensal bruto: 4.069,33 €

ʘ Bruno Miguel Ribeiro Escada, idade: 29 anos, cargo: assessor; vencimento mensal bruto:     4.854,00 €

ʘ Filipe Gil França Abreu,  idade: 28 anos,  cargo: assessor; vencimento mensal bruto:            4.854,00 €

ʘ Nelson Rodrigo Rocha Gomes, idade: 29 anos, cargo: adjunto; vencimento mensal bruto:     5.069,33 €

MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA

ʘ Jorge Afonso Garcez Nogueira, idade: 29 anos, cargo: assessor; vencimento mensal bruto:     5.069,33 €

ʘ André Santos Rodrigues Barbosa, idade: 28 anos, cargo: assessor; vencimento mensal bruto: 4.364,50 €

MINISTRO ADJUNTO E DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES

ʘ Diogo Rolo Mendonça Noivo, idade: 28 anos, cargo: especialista, vencimento mensal bruto:   5.069,33 €

ʘ Ademar Vala Marques,   idade: 29 anos,   cargo: adjunto; vencimento mensal bruto:                5.069,33 €

ʘ Tatiana Canas da Silva Canas, idade: 28 anos, cargo: especialista; vencimento mensal bruto:  5.069,33 €

ʘ Rita Roquete Teles Chaves, idade: 27 anos, cargo: especialista; vencimento mensal bruto:      5.069,33 €

ʘ André Tiago Pardal da Silva, idade: 29 anos, cargo: especialista; vencimento mensal bruto:      5.069,33 €

MINISTÉRIO DA ECONOMIA

ʘ Cláudia Alves Saavedra Pinto,   idade:  28 anos, cargo: adjunta; vencimento mensal bruto:     5.069,34 €

ʘ Tiago Lebres Moutinho, idade: 28 anos, cargo: especialista/assessor; venc. mensal bruto:        5.069,34 €

ʘ João Cristóvão Baptista, idade: 28 anos,  cargo: especialista/assessor; venc. mensal bruto:      5.069,34 €

ʘ Tiago José Bolhão Páscoa, idade: 27 anos, cargo: especialista/assessor; venc. mensal bruto:    5.069,34 €

ʘ André Filipe A. Regateiro, idade: 29 anos, cargo: especialista/assessor; venc. mensal bruto:     5.069,34 €

ʘ Ana da Conceição Gracias Duarte, idade: 25 anos (deve ser mesmo boa!...), cargo: espe-cialista/assessor; vencimento mensal bruto: 5.069,34 €

ʘ David Emanuel Martins, idade: 28 anos, cargo: especialista/assessor; venc. mensal bruto:        5.069,34 €

ʘ João Folgado Verol Marques, idade: 24 anos (o gajo deve ser mesmo munta bom!), cargo: especialista/assessor; vencimento mensal bruto: 5.069,34 €

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

ʘ Joana Enes Malheiro Novo, idade: 25 anos, cargo: especialista/assessor; venc. mensal bruto:   5.069,33 €

ʘ Antero Silva, idade: 27 anos, cargo: especialista/assessor; vencimento mensal bruto:                  5.069,33 €

ʘ Tiago de Melo Sousa Cartaxo,  idade: 28 anos, cargo: especialista; vencimento mensal bruto:   3.069,33 €

MINISTÉRIO DA SAÚDE

ʘ Tiago Menezes Moutinho Macieirinha,  idade: 29 anos, cargo: adjunto;  venc. mensal bruto:   5.069,37 €

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA

ʘ Ana Isabel B. Figueiredo, idade: 29 anos, cargo: assessora técnica; vencimento mensal bruto:   4.198,80 €

ʘ Ricardo Morgado, idade: 24 anos (também deve ser munta bom), cargo: assessor; vencimento mensal bruto: 4.505,46 €

SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA

ʘ Filipa Martins,  idade: 28 anos, cargo: colaboradora/especialista; vencimento mensal bruto:     2.950,00 €.

Quando lhe voltarem a pedir votos, por favor, lembre-se disto. Lembre-se que, para dar bombons (e Audis e Mercedes) a uns quantos, os governos, controlados pelos partidos, «roubam» as reformas e subsídios a quem para eles descontou uma vida inteira e, contrariando a Constituição, a quem ainda trabalha… todos os meses vão ao bolso para lhes retiraram, para além de descontos e impostos, algo que não podiam fazer: os subsídios de Natal e de Férias.

 E.G.

Todas as fotos foram retiradas da Internet

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Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

EMU - A MÁQUINA INFERNAL

 

O Financial Times e o Daily Telegraph de hoje, debruçam-de sobre a negra situação económica-financeira portuguesa. E não são meigos. Apenas falam claro; o que em Portugal nunca acontece.

A dado passo, o Daily afirma:

“[…] Portugal cannot recover under the policies in place. The government is asphyxiating the Portuguese economy for no useful purpose. It is pain without gain. […] While mass default within EMU is theoretically possible, the country would do better to leave monetary union and restore global competitiveness at a stroke. There is nothing to be gained from dragging out the agony.

[…] I notice that his critics in Portugal tar him with the brush of Milton Friedman and the Chicago School. Professor Friedman warned against the destructive effects of EMU from the beginning. His advice to Portugal would be immediate withdrawal from the Maquina Infernal of EMU, and the immediate retrieval of Portugal’s sovereign policy instruments.

Sadly, there seems to be almost nobody in public life in Portugal willing to tell the people that membership of the euro is the elemental cause of their current suffering.”

Pois é! “Sadly"! Neste país ninguém chama a atenção para os problemas provocados pela EMU, a GDP, a «moeda única» !

E.G.
  

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Publicado por democracia-do-sul às 19:19
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Sábado, 22 de Setembro de 2012

NÃO MATEM A ESPERANÇA!

Num carrocel de loucos, passaram dez ou doze dias desde que Coelho decidiu cantar a «Nini dos meus quinze anos». Perdão: desde que decidiu anunciar mais um pacote de duríssimas medidas sobre os contribuintes pobres, trabalhadores e reformados.

Uma deles trazia atrás de si a semente de uma revolução: o aumento da Taxa Social Única.

A mim, a coisa fez-me torcer o nariz, porque nunca acreditei que esse anúncio fosse para ser tomado a sério - ninguém ia deixar. Coelho também sabia que não seria a sério. Se assim não fora, por que raio haveria de ter vontade de cantar a «Nini», logo a seguir?

Como se previa – e Coelho deveria sabê-lo melhor que ninguém – o Zé-povinho saltou para a rua. Ordeiramente, como sempre, graças a Deus, já que esse mesmo Deus, no dia da distribuição do sentimento de indignação, já deveria estar cansado de caminhar por esse mundo fora e, ao chegar às faldas da Serra da Estrela, já só trazia umas migalhas de tal sentimento que por ali deixou cair, à espera que um qualquer Viriato as apanhasse e gastasse.

Um décimo dos portugueses saiu, pois, à rua, entoando «A Portuguesa», agitando escassas bandeiras e cartazes onde a palavra «gatunos» era o escudo mais visível.

O Presidente e o governo fingiram surpreender-se; o primeiro convocou um Conselho de Estado para dar azo a que Coelho viesse informar que “foram ultrapassadas as dificuldades que poderiam afectar a solidez da coligação partidária que apoia o Governo" – conforme se lê no comunicado divulgado após uma reunião de quase oito horas.

Soares que, na experiência dos seus quase noventa anos, percebeu a fachada da marosca, foi o único que, ao fim de duas horas, deixou a falar sozinha a «brigada do reumático» - como lhe chamaria Louçã -, já que o final estava mais que previsto: decidiria sobre “a importância crucial do diálogo político e social e da procura de consensos, de modo a encontrar soluções, tendo em conta a necessidade de cumprir os compromissos assumidos”, como reza o citado comunicado.

No fim, Coelho tinha decidido (tinha?) que iria estudar forma de substituir as verbas «perdidas» na sua marcha atrás sobre a TSU. Pois! imagina-se: não seremos sacados do bolso das calças, seremos no bolso do casaco!...

Entretanto, durante estes dias, falou-se, pisou-se e repisou-se o tema «TSU». Enquanto isso, ninguém ou quase ninguém recordou que o desemprego se aproxima rapidamente dos 20%.

Ninguém ou quase ninguém falou nas outras medidas que Passos anunciou antes de ir cantar a «Nini»: o governo vai manter corte de um dos subsídios dos funcionários, vai repor o outro distribuindo-o por 12 meses de salários, amplia os seus descontos para a CGA para 18%. Ou seja, os funcionários continuam a receber menos dois salários anuais e pagarão ainda mais impostos. Ninguém se revoltou só porque o imposto pago pelos contribuintes aumentará, em média, 3,5%; quase todos calaram que os novos escalões do IRS vão sacar, em média, mais meio salário.

Quanto aos pensionistas, a quem igualmente lhes aumentam os impostos, continuarão a ter o corte dos dois subsídios até ao final do programa de assistência. Uma «excelente» solução encontrada pelo governo para contornar a decisão do Tribunal Constitucional, que declarou inconstitucional - por violação do princípio da igualdade - o corte dos subsídios de Natal e de férias para a Função Pública e pensionistas.  

Logo a seguir ao anúncio destas dolorosas notícias, o ministro das Finanças veio dizer que serão anunciadas "medidas temporárias" para 2012, para além das que já foram apresentadas.

As pessoas saíram à rua por causa da TSU; as restantes medidas parece terem ficado esquecidas. Por isso, pergunto: será que era isto que Coelho pretendia? Que as pessoas «perdoassem» o resto?

e agora?

Depois do Conselho de Estado de ontem, parece que tudo voltou à mesma: Passos Coelho vai fazer as experiências que der na gana do ministro das Finanças; os sindicatos vão continuar a preparar uma greve geral e as manifs que forem precisas, Louçã vai continuar com o seu humor corrosivo a achincalhar Coelho, Portas, Gaspar, Álvaro ou Relvas; o Partido Comunista vai prosseguir com a sua pedagogia repetitiva e Seguro vai continuar a fingir que é «mau», que o PS está unido e que tem soluções para o país.

Mas a verdade é que é extremamente urgente que se travem as estúpidas medidas de austeridade que são, sobretudo, verdadeiro assédio à própria dignidade do pobre.

A crise que atravessamos é de valores, é de lideranças. É uma crise que se caracteriza pela prevalência dos critérios financeiros sobre os próprios critérios de economia e sobre os critérios sociais.

Em cada dia que passa, está, inexoravelmente, a agravar a insegurança das pessoas, a nível social e psicossocial.

O futuro não é risonho. Não temos por onde escolher. Ou, melhor, a escolha é de incertezas.

Não sei se surgirão pessoas ou grupos capazes de fazer o que é preciso: gente que seja capaz de ignorar o fado, o fatalismo dos que acham que não há nada a fazer.

Há! Porque, neste país, agora está tudo mal; e quando tudo está mal é quando se pode fazer alguma coisa.

                                                                                                                                                                                                                             E.G.
Todas as fotos foram retiradas da Net, sem indicação da sua autoria

  

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Publicado por democracia-do-sul às 08:29
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Sábado, 8 de Setembro de 2012

E ELE RI-SE, CARAMBA!

para chorar, estamos cá nós

 

Anteontem, o Presidente da República, à laia de aviso ao governo, a semanas da apresentação do Orçamento do Estado, veio «alertar», com toda a prudência e falta de clareza a que já nos habituou, que a carga fiscal não pode sobrecarregar mais os portugueses e que os que já estão muito «esmagados» não o devem ser novamente.

À laia de resposta (ou desafio?), o primeiro-ministro, desrespeitando o acórdão do Tribunal Constitucional, que exige equidade nas medidas de austeridade, veio atirar ao rosto dos portugueses um rol de incríveis regras de maior austeridade, que desobedecem ao Tribunal, cometendo, a meu ver, não só uma inconstitucionalidade contrária à ordem, à moral e à razão, mas uma incrível desobediência civil e criminal, pelo que deverá ser responsabilizado.

Infelizmente, há dezenas de anos que o Estado deixou de poder ser considerado «pessoa de bem» e, assim, já ninguém estranha que o governo continue a «castigar» os mais débeis, a começar pelos funcionários e os restantes trabalhadores, proletários ou não, e a terminar nos pensionistas e reformados, num desprezo total pelos cidadãos. Todos, não: nas grandes fortunas, nem sequer se belisca e os capitalistas que fugiram com o dinheiro para paraísos fiscais, serão perdoados perante uma ridícula «multa» de 7,5%, quando os operários e funcionários vêm os seus impostos agravados, ao serem penalizados com um IRS imoral e, agora, para além do esbulho dos subsídios de férias e de Natal, com um aumento de 7% do seu vencimento bruto para a Segurança Social e para a Caixa Geral de Aposentações, para as quais passarão da descontar quase um quinto do seu vencimento (um imposto disfarçado), enquanto as grandes empresas aforrarão muitos milhões, deixando de contribuir para a S. Social, à custa desse aumento sobre os trabalhadores.

Já bastavam estas incríveis medidas de «equidade à la coelho» (equidade que castiga os reformados retirando-lhes  - roubando? - os dois subsídios que lhes são devidos) para nos deixar mais que preocupados até porque não se percebe o que se passará nos crânios iluminados que nos governam, quando falam em recuperação económica, ao mesmo tempo que  reduzem drasticamente, até aos limites do incrível, o poder de compra da população. Mas Coelho tinha ainda de ferir-nos com o ar displicente e impertinente como se apresentou, perante as câmaras de televisão para anunciar as «suas» medidas.

Provavelmente, algum dos seus conselheiros que pastam nos mesmos… relvados, o alertou para o despropósito e o «Pedro» decidiu «explicar», no seu facebook, que o discurso que fez “não era o que gostaria de poder nos dizer” e, reclamando-se cidadão e pai, «o Pedro» disse ainda que sentia “a frustração de não poder poupar-nos a estes sacrifícios”.

Entretanto, o oportunista Seguro exultou: Coelho deu-lhe, de mão beijada, a oportunidade de se desobrigar de deixar passar o Orçamento, ao mesmo tempo, que lhe veio abrir a porta para que a sua própria incompetência possa vir a substituir a incompetência de Coelho.

******

O jornal «Correio da Manhã», nunca caiu no meu agrado, já que o jornalismo» tipo «jornal do crime», «hola» ou «sun» se tornam repelentes à minha sensibilidade jornalística.

Mas, desta vez, venho dar a mão à palmatória e agradecer efusivamente a esse jornal o serviço que prestou aos portugueses, ao publicar a foto que acima se reproduz.

Passos Coelho acabara de chocar os portugueses com as medidas anunciadas e com a forma fria e displicente com que as anunciou e foi logo de seguida, a correr, com a sua mulher, para o concerto de Paulo de Carvalho, onde exteriorizou, com aquele ar que deve reflectir a sua dita frustração e o seu desgosto por aquilo que nos disse – tristeza que se pode apreciar no «semblante carregado» com que entoou a «Nini dos 15 anos».

A hipocrisia tem destas coisas: por vezes, denuncia-se a si própria! Razão teve hoje Jerónimo de Sousa quando, no encerramento da festa do Avante, afirmou que Passos Coelho pode dizer que está a tratar dos futuros dos filhos – dos dele, não dos nossos.

E Cavaco que vai agora fazer? Assobiar para o lado depois de Coelho fazer orelhas moucas aos seus… «conselhos»?

Ah! E esperem por aquilo que ainda o nosso homem tem para apresentar no Orçamento!...

E.G.

  

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Publicado por democracia-do-sul às 23:19
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Domingo, 2 de Setembro de 2012

APERTEM! APERTEM!...

aguentem: seis dias de trabalho semanal,
maiores facilidades nos despedimentos...

 

No dia preciso em que o nível de desemprego deverá atingir os 17%, amigo bem colocado nos meandros da política europeia acaba de me «avisar» hoje: a «Troika» vai «sugerir» novos apertos. Compreende-se: da forma como as coisas estão, o contrário é que seria de admirar.

Passos Coelho sabe que tem de tomar «medidas adicionais», não só porque o tal maldito défice teima em aumentar, graças às políticas de desinvestimento e erros de cálculo, mas também porque os senhores do Tribunal Constitucional já lhe disseram que as medidas ilegais de penalizar aposentados e funcionários públicos, deixando de fora todos os outros (os mais ricos, inclusivamente) já não poderão ser repetidas porque… são inconstitucionais.

Já era um par de botas difícil de descalçar para o primeiro-ministro e, ainda por cima, ele também já deve saber o que os fulanos da «troika» vão recomendar: semana de seis dias de trabalho, maiores facilidades nos despedimentos (os quais verão ainda reduzidas as compensações) e, ainda, (para «facilitar» mais a vida ao estado social), têm, na carteira, a proposta de redução da taxa das empresas para a Segurança Social.

Lindo! Se estas não são medidas para a «recuperação económica» são, com certeza, capazes de aumentar o número de desempregados. Se não vão ajudar às condições de vida dos portugueses, vão, com certeza, incrementar a criação das «sopas dos pobres», de que falava aquela deputada do vídeo que metemos há dias.

Mas há quem se ria! Riem-se os empresários que mantêm as suas sedes em países mais «favoráveis». Riem-se os que levaram os «carcanhóis» para cofres estrangeiros e para offshores e a quem o Estado agora perdoa a infracção. Riem-se os banqueiros que nos fazem pagar, com o dinheiro dos nossos impostos, os seus desmandos e as falências fraudulentas. Riem-se os que decretam os seus próprios vencimentos e mantêm os seus subsídios, ou seja, deputados e toda a restante «classe política».

E riem-se outros. Aqueles que aprendem a «ser políticos» nas «universidades de verão» do PS e do PSD… Para que, mais tarde, continue a haver gente inexperiente e incompetente para nos governar.

Só nós não rimos. Sobretudo, quando nos confrontamos com o quadro que encima este artigo.

Riem-se eles!

E.G.

  

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Publicado por democracia-do-sul às 13:34
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*EDITORIAL

Este blog será… aquilo que e os editores que me acompanham quisermos que seja. Não nos declaramos apartidários nem enfeudados. Também não nos rotulamos nem laicos nem místicos. Seremos, tanto quanto possível, observadores atentos e críticos; ácidos e ásperos, quando necessário. As nossas escolhas, a moral e a ética expressas serão aquelas que a nossa consciência, vontade e princípios o ditarem. “Democracia do Sul” será local de debate se os leitores assim desejarem, desde que usem regras de correcção e de respeito. Pomo-nos ao serviço da Região Algarvia, centrando- -nos principalmente no Concelho Louletano. Nosso farol será a Democracia; nossa “dama”, a República. ooooooooooooooooooooooooo - escreva-nos - escreva-nos democracia-do-sul@sapo.pt - escreva-nos ooooooooooooooooooooooooo

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